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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Lava Jato começa novas investigações no Paraná

 No mesmo dia em que o diretor-geral da PF, Fernando Segovia, afirmou que terminará ainda este ano as investigações em todos os inquéritos da Operação Lava-Jato que tramitam no STF, o superintendente da PF no Paraná, Maurício Valeixo, anunciou a chegada a Curitiba de uma nova leva de 53 inquéritos, desmembrados de investigações que correm na Corte. Parte expressiva do material se refere a desdobramentos das delações de executivos da Odebrecht. Valeixo não estabeleceu prazo para o fim dos trabalhos e assegurou que haverá aumento do efetivo que atua na Lava-Jato. As informações são de Gustavo Schmitt e Vinicius Sassine n’O Globo.
Em encontro com a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, Segovia disse ainda que concluirá todos os outros inquéritos que apuram supostos crimes cometidos por autoridades com foro privilegiado — cerca de 200, metade relacionada com a Lava-Jato. A maioria seria encerrada nos próximos oito meses, segundo o diretor-geral — portanto, antes do primeiro turno das eleições. Segovia, no entanto, afirmou que não faz o cálculo sobre eventual influência da aceleração dos inquéritos nas eleições neste ano.
— Qualquer investigação deve vir em benefício da sociedade.
Questionado pelos jornalistas se a meta inclui o inquérito que investiga o presidente Michel Temer, o diretor-geral da PF disse que sim:
— As perguntas já foram enviadas ao presidente. A partir disso, será tomado um novo passo. Isso dependerá do delegado que preside o inquérito — afirmou Segovia, que confirmou a Cármen Lúcia o reforço da equipe da PF na Lava-Jato em Brasília.
Temer é investigado no STF por suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, num inquérito que apura se um decreto presidencial de 2017 beneficiou a Rodrimar, empresa que atua no Porto de Santos (SP). A PF já encaminhou uma lista de 50 perguntas ao presidente, para que ele responda por escrito.
Já o novo chefe da Polícia Federal em Curitiba disse que precisará de mais analistas e peritos para auxiliar na apuração de casos que envolvem o sistema Drousys, uma espécie de arquivo digital gigantesco que reúne informações sobre pagamentos de propina da Odebrecht no Brasil e no exterior. Dados do Drousys têm sido extraídos inclusive para subsidiar investigações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
— Temos orçamento específico só para a Lava-Jato. Para 2018, já foi feito um plano para concentração de esforços e recrutamento de pessoal para os casos que ainda tramitam em Curitiba. Isso significa um aumento do grupo de trabalho — afirmou, sem dizer qual será o quantitativo incrementado.
Comedido com as palavras, o delegado evitou críticas ao comentar o desmantelamento do grupo de trabalho da operação do Paraná, em julho do ano passado, quando o número de delegados foi reduzido de nove para quatro.
Valeixo disse que considera “natural” a redução do efetivo da operação após as investigações se espalharem para outros lugares, como Brasília e Rio. Ele nega que haja pressão política do governo do presidente Michel Temer, que tem ministros e parlamentares aliados sendo investigados, para abafar o trabalho da Polícia Federal
— Não (temos pressões políticas). O que posso dizer é que as equipes de policiais têm uma blindagem pra poder conduzir as investigações com tranquilidade — disse Valeixo.
Questionado sobre possíveis ameaças à Lava-Jato, como a possibilidade de o STF rever o entendimento sobre as prisões após condenações em segunda instância, o delegado evitou polemizar, mas reconheceu que a atual interpretação da Constituição reduz a sensação de impunidade.
— Eu não costumo fazer avaliações sobre essas questões. Mas, naturalmente, quando isso veio à tona, houve uma melhora em relação a sensação de impunidade. Antes disso, você tinha que aguardar 15, 16 ou até 20 anos para que uma pena começasse a ser aplicada — disse o delegado, em referência ao entendimento que previa a prisão apenas após o trânsito em julgado da sentença.
O delegado também comentou o embate entre a força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal em relação às delações premiadas. A participação dos delegados nos acordos de colaboração ainda depende do aval do Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, os procuradores têm dito que a polícia não tem a independência orçamentária e pode ser suscetível a pressões políticas.
DELEGADO ESCOLHIDO
Valeixo propõe “trabalho em conjunto” para aparar as arestas e recuperar a sintonia que levou ao sucesso a operação.
— O que você não pode permitir é que esses conflitos ganhem uma importância maior do que a própria investigação. O importante é ter um trabalho em conjunto, deixando essas questões em segundo plano — disse o delegado. — Se você olhar o início da Lava-Jato, vai ver que já havia uma participação muito sintonizada inclusive nos processos de colaboração. O que eu defendo que não só na colaboração, mas também em outros casos, haja um trabalho em conjunto entre PF e MPF.
Também ontem, o diretor-geral da PF convidou o delegado Márcio Anselmo, que já atuou na Lava-Jato em Curitiba e foi um dos principais investigadores da fase inicial da operação, para comandar a Divisão de Crimes Financeiros. Ele estava, desde março do ano passado, atuando como corregedor da corporação em Vitória (ES). Segundo interlocutores do órgão, o delegado aceitou o convite e deve começar nas próximas semanas.
(foto: arquivo/google)



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