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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Iraque busca US$ 88 bi para se reconstruir após décadas de guerra




Família iraquina caminha sobre trilho no subúrbio de Bagdá, Iraque - Hadi Mizban / AP

Governo espera conseguir verba do setor privado para reerguer casas e realocar refugiados

KUWAIT - Após quatro décadas de conflitos armados, o Iraque quer reunir US$ 88 bilhões para reconstruir o país, um projeto gigante que começou a ganhar forma nesta segunda-feira, em uma conferência internacional no Kuwait. Durante três dias, centenas de políticos, ONGs e empresários se reunirão no Kuwait. O governo iraquiano espera, principalmente, conseguir verba do setor privado para reconstruir milhares de casas e relocar os 2,5 milhões de refugiados internos.
Há dois meses, o governo anunciou o fim de um novo conflito bélico, desta vez contra os jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI), que, em 2014, haviam conquistado amplas regiões do país. Mas a reconstrução do segundo maior produtor de petróleo da Opep será longa e difícil.
Desde os anos 1980, no entanto, o Iraque se viu mergulhado em várias guerras e num longo embargo internacional, principalmente após invadir o Kuwait, em 1990.
— Avaliamos o total necessário para reconstruir o Iraque em US$ 88,2 bilhões — disse o ministro iraquiano do Planejamento, Salman al-Jumaili, na abertura da conferência.
Segundo ele, a verba será destinada às pessoas deslocadas e à reconstrução dos serviços públicos. Já o diretor-geral do Ministério do Planejamento, Qusai Abdelfatah, são necessários US$ 22 bilhões com urgência, e o restante, a médio prazo.
— Colocamos em prática programas de reconstrução (...) mas o que conseguimos é inferior ao 1% de que o Iraque necessita — disse Mustafa al-Hiti, presidente do fundo de reconstrução para as áreas afetadas pelos combates contra o EI. — Mais de 138 mil casas foram danificadas e metade delas, totalmente destruídas."
RETORNO DOS DESLOCADOS
Além dos danos materiais, o Iraque enfrenta uma grave crise humanitária, com 2,5 milhões de refugiados internos. Por este motivo, a conferência do Kuwait deveria servir para financiar o "retorno voluntário" dos deslocados para suas casas, disse Bruno Geddo, da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).
— Embora os combates em larga escala tenham terminado, as cicatrizes permanecem em todo o país. As cidades ficaram muito destruídas, as comunidades foram disseminadas — explicou.
O Unicef e ONU-Habitat também pediram investimentos urgentes para recuperar a infraestrutura e os serviços básicos para as famílias iraquianas.
"A violência destruiu a vida de milhões de pessoas, com uma criança em cada quatro na pobreza", indicaram ambas as organizações em nota. Além disso, metade das escolas precisam de reforma, e mais de 3 milhões de crianças tiveram que interromper as aulas.
CANSAÇO INTERNACIONAL
Autoridades da comunidade internacional reconhecem, no entanto, que há um cansaço de doadores externos, especialmente após a guerra contra o EI na Síria e no Iraque desencadear uma intensa crise migratória em direção à Europa. Além disso, muito da ajuda concedida ao Iraque não garantiu resultados: bilhões de dólares foram injetados após a invasão dos EUA em 2003 para depor o então ditador Saddam Hussein, mas pouco efeito disso pode ser visto atualmente.
Apenas os EUA gastaram US$ 60 bilhões durante nove anos. Cerca de US$ 25 bilhões foram para o Exército iraquiano, que se desintegrou durante a ofensiva de 2014 do EI, que nasceu da al-Qaeda presente em território iraquiano. Auditores do governo americano chegaram inclusive a encontrar desperdícios e corrupção em larga escala, levantando dúvidas, incluindo do presidente Donald Trump, sobre a concessão de ajuda.
Várias ONGs, a maioria do Kuwait, anunciaram hoje verbas de mais de US$ 330 milhões para apoiar operações humanitárias, dos quais 130 procedentes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR).
Nesta terça-feira, a conferência reunirá representantes do setor privado e, no dia seguinte, será dedicada aos países participantes.

Fonte: O Globo 

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