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domingo, 4 de fevereiro de 2018

Jornalista Celso Nascimento de despede da Gazeta do Povo

Hoje é dia de despedida. Metade afastada de mim

Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Fazem sentido para mim estes versos da canção de Chico Buarque. Esta é a última coluna que escrevo para a Gazeta do Povo. É minha despedida aos leitores do jornal ao qual dediquei bem mais da metade de minha vida e exatamente no dia em que o jornal completa 99 anos de existência. Os tempos são outros e o ocaso é tão natural e tão infalível como o Sol que nasce e se põe.
Nunca escrevi em primeira pessoa. Optei sempre pela linguagem impessoal - mas hoje é diferente. É dia de dizer um adeus pessoal à Gazeta do Povo.
Iniciei aqui, neste jornal, minha jornada profissional em outubro de 1966, poucos meses antes da diplomação no curso de Jornalismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Portanto, há 52 anos, num tempo em que as notícias nacionais e internacionais chegavam literalmente em código Morse e cheiro de chumbo derretido pelo velho Chripusko dominava todos os ambientes da sede da Praça Carlos Gomes, 4.
Este tempo equivale a mais da metade da vida do próprio jornal e dois terços da minha. Mal tinha completado 20 anos de idade quando subi pela primeira vez as escadas de mármore da velha casa. Cheguei tímido e inseguro. Três meses depois, porém, de estagiário, passei a contratado - graças a algo de que me orgulharei sempre: o reconhecimento pessoal do dr. Francisco Cunha Pereira Filho de que estava diante (talvez equivocadamente) de um jovem e promissor profissional.
Como se fosse seu “pupilo”, era a mim que quase todos os finais de tarde, quando o jovem dr. Francisco (então com 39 anos), após passar por momentos de oração na capela da igreja do Bom Jesus, chegava ao jornal em seu Studbaker 1953, e costumeiramente me chamava à sua sala para passar orientações para a edição do dia seguinte. Eu apenas um mero repórter, um “foca”.
De estagiário, passei a contratado - graças a algo de que me orgulharei sempre: o reconhecimento pessoal do dr. Francisco Cunha Pereira Filho
Foi uma relação de confiança e de respeito – quase paternal e filial – que se prolongou durante todo o tempo em que o dr. Francisco esteve à frente do jornal e, em seguida, também como o empreendedor que comprou a TV Paranaense, em 1969, e a transformou no embrião da grande rede de televisão, afiliada à Rede Globo, que domina a audiência no Paraná.
Aos 23 anos, sempre pelas mãos do dr. Francisco, fui elevado à condição de Chefe de Reportagem numa redação povoada por veteranos jornalistas. Foi também por sua indicação que, em 1968, antes mesmo da aquisição formal do Canal 12, que ele me designou para, acumulando as funções na Gazeta, ser também redator de um telejornal que iniciaria a parceria entre jornal e tevê.
Coincidências da vida, eu estava lá quando a Rede Globo, em 1.º de setembro de 1969, lançou o Jornal Nacional e coube a mim, naquele dia histórico, ser o primeiro repórter da primeira participação do Paraná na primeira edição do que viria a ser, em pouco tempo, o mais importante e influente telejornal da televisão brasileira.
Após um intervalo de breves anos no serviço público, quando tive a honra de assessorar gestores do porte de Paulo Carneiro Ribeiro (Agricultura) e Belmiro Valverde Jobim Castor (Planejamento) e de ter convivência próxima com os governadores Jayme Canet Jr. e Ney Braga, voltei outra vez ao grupo Gazeta/RPC – sempre a convite do dr. Francisco, para desta feita atuar como Chefe de Reportagem, por dez anos, da Rede Paranaense de Comunicação.
Os anos fora do grupo não foram desperdiçados. Serviram-me para conhecer o Paraná, seus problemas, seus desafios e compreender seus potenciais de desenvolvimento. Foi um aprendizado que ajuda até hoje para analisar os tantos governos que depois passaram diante do meu olhar crítico e absolutamente independente.
Eis que terminada a fase no serviço público – do qual fui afastado por uma demissão por “não ser confiável” para o governante de então (apenas colaborei para denunciar um secretário de estado que conduzia operações financeiras não republicanas), fui convocado – eis a repetição: pelo dr. Francisco – para ser editorialista da Gazeta do Povo, isto é, para escrever textos que representassem a opinião do jornal e do seu próprio dono.
Por breve tempo – cerca de quatro anos – fui também levado à Chefia de Redação do jornal e, desta função, e depois designado para, simultaneamente, voltar aos editoriais e assinar a coluna Política que levou meu nome ao longo dos últimos 12 conturbados anos.
Graças à liberdade que me deu a direção da Gazeta – já então já sob a chefia dos dois filhos de Francisco, Ana Amélia e Guilherme – pude dar vazão à minha veia crítica, sempre pautada pela independência, pelo apartidarismo, pela honestidade intelectual e pelo primado que me impus de adotar como linha mestra a defesa intransigente do que eu entendia ser de interesse público.
Enfrentei poderosos, ajudei a desvendar fatos escusos, a denunciar culpados, a evitar negociatas...
Esta linha valeu-me e ao jornal a conquista de impressionante público leitor. Valeu-me a conquista também de muitos amigos, mas, quem sabe, inversamente desproporcional ao número de inimigos. São incontáveis os processos judiciais que sofri, 95% reconhecidos pela Justiça como incabíveis, pois procurei nada mais fazer do que exercer o direito constitucional à crítica e à livre expressão do pensamento, calcado na verdade dos fatos, ainda que estes fossem contrários aos mandantes de ocasião que se consideraram ofendidos.
Orgulho-me disso. Nunca acreditei em jornalismo anódino e insosso, assim como não acreditei na hipocrisia de ouvir previamente do outro lado respostas óbvias para safar-me de responsabilidades, como ensina um dos grandes mestres do Jornalismo brasileiro, o professor Carlos Alberto Di Franco. Enfrentei poderosos, ajudei a desvendar fatos escusos, a denunciar culpados, a evitar negociatas...
Chegou a hora, porém, do descanso. Descanso para o jornal e para os leitores, já que suponho que minha presença entre os colunistas se tornava, a cada dia, visivelmente mais irrelevante e talvez inapropriada às modernas realidades digitais, às quais, como muitos outros veículos impressos, a G azeta do Povo precisou aderir.
Compreendo e aceito estes novos tempos. Aos 72 anos de idade, no entanto, o sangue de jornalista ainda corre quente nas minhas veias. Continuo dando-lhe vazão no site que preventivamente criei há seis meses, o Contraponto (www.contraponto.jor.br). É nele que agora posso ser encontrado por quem se interessar possa.
Por fim, apesar da metade arrancada de mim, como diz a poética de Chico Buarque, só tenho a agradecer a todos. Ao dr. Guilherme, à Ana Amélia, a todos os colegas de Redação, às muitas fontes às quais me mantive religiosamente fiel. E aos que me prestigiaram com sua paciente leitura.

Galindo disse no seu Facebook: Eu seria um ingrato se não falasse aqui do Celso Nascimento hoje. Nesta semana completo 18 anos de jornalismo diário: sempre, de um jeito ou de outro, ainda que a distância, numa espécie de parceria com ele.
O Celso foi meu chefe de redação quando eu estava começando. Me deu algumas broncas (merecidas) e alguns bons conselhos. O melhor, acho, foi um dia em que, ainda moleque, apareci na reunião de primeira página com uma camiseta com alguma inscrição. Não lembro o que dizia. Ele disse: "Menino, não precisa militar em outra causa, milite no jornalismo. Basta." Levo muitíssimo a sério esse conselho. Nossa causa, minha e dele, é o jornalismo, a reportagem.
Em 2006, comecei como colunista na eleição. Depois, passei a fazer a "folga" do Celso. Ele escrevia seis dias por semana, eu fazia o sétimo. Foi um momento de renovação para o jornal, que deixava pra trás um certo tipo de colunismo e começava a dar espaço para outro, colocando repórteres no lugar de certos "analistas".
O Celso foi, é e continua sendo uma referência pra todo mundo que, como eu, começou a cobrir política na Gazeta. Há quem discorde dele, há quem prefira outros. Eu sempre me vi como aluno dele.
E, agora, somos mais ou menos concorrentes. Ele com o Contraponto, eu com o Caixa Zero. E é óbvio que eu vou ler todo dia o que ele escreve. Até para continuar aprendendo como é que se faz.


Era uma vez a Gazeta do Povo

A edição semanal impressa da Gazeta do Povo deste três de fevereiro de 2018 contém duas marcas: é a data em que o jornal completa 99 anos de fundação e em que comunica que seu mais antigo jornalista em atividade deixa seus quadros. Neste último caso, trata-se de mim, Celso Nascimento, editor deste Contraponto, que há 52 anos rondava por lá, tempo que ultrapassa a metade da vida do jornal e dois terços da minha.

Foi um rio que passou em minha vida. Não sujei as águas em que nadei. Fiz a travessia, desde “foca” estagiário a partir de 1966 – mesmo ano em que peguei o diploma de Jornalismo na UFPR – a repórter, Chefe de Reportagem, Chefe de Redação, editorialista e, por fim, colunista político. Passei também por outros veículos do grupo, como o Diário da Tarde e a TV Paranaense Canal 12, dos quais fui respectivamente editor e Chefe de Reportagem por largos e bons períodos.
Fiz parte dos tempos gloriosos da Gazeta do Povo em que era dirigida por seu maior publisher, o saudoso dr. Francisco Cunha Pereira Filho. Aos domingos, 200 mil exemplares de 300 páginas chegavam às bancas para se esgotarem em poucas horas. Quinto maior diário do país, a Gazeta não era simplesmente um jornal, era uma instituição paranaense.
Foram tempos de aprendizado, de acúmulo de experiência e de exercício profissional que me exigiram bravura, coragem e, claro, também submissão à linha editorial definida por meus superiores, nunca, porém, me afastando das lições que aprendi em casa – honestidade, sinceridade, senso de justiça. Qualidades que, nascidas do convívio e no exemplo familiar, procurei empregá-las na vida profissional, o que exigiu de mim sobretudo doses cavalares de ousadia e de desapego a vantagens, bens materiais, vanglória.
O fim da carreira na Gazeta do Povo, é evidente, não me alegra, especialmente pelo fato de que não fui eu que o determinei, mas sim forças que para mim me soam ainda incompreensíveis. O que não significa mágoa nem motivo para depressão. Pelo contrário, apenas o sentimento de missão (bem) cumprida e inspiração para enfrentar novos desafios.
Continuo jornalista como sempre fui, agora exclusivamente neste Contraponto – espaço que com muito orgulho divido com o brilhantismo invejável da colega Ruth Bolognese.
Tocaremos o nosso barco, com o mesmo destemor, independência, descompromisso com governos, grupos políticos ou econômicos, atributos que marcaram nossas vidas de remadores contra a corrente. E com a esperança de podermos contar com o respeito, com a admiração, com as críticas e mesmo – por que não? – com o desgosto que possam nos devotar os cada vez mais numerosos seguidores deste Contraponto. 
Blog Contra Ponto: https://contraponto.jor.br/
Celso... 
Sucesso, reconhecimento, fama, glória...
Muitos de nós lutamos por motivos assim.
Mas não se constrói um bom nome da noite para o
dia.
É necessário trabalhar duro. Ainda que haja tropeços
e quedas, é preciso superar os obstáculos. É
necessário ter motivação, perseverança,
persistência...
A vida é uma sucessão de batalhas.
Emprego, família, amigos: todos nós temos um status
atual, (o que fazemos na vida, ecoa para a eternidade)
e também temos expectativas para o futuro (em três
semanas estarei fazendo a minha colheita. Imaginem
onde estarão, e assim o será).
No entanto, as reviravoltas do destino nos
surpreendem (Grandeza é uma visão.).
Nem sempre dá para se fazer apenas o que gostamos.
Mas aquele que gosta do que faz e sente orgulho em
fazer melhor, a cada dia vai mais longe!
Há momentos de calmaria e há momentos agitados e
decisivos em que a boa intenção não basta. É quando
a vida nos cobra coragem, arrojo, criatividade e um
inabalável espírito de luta.
A verdade é que os problemas e os reveses ocorrem
com maior frequência do que gostaríamos.
Os tempos mudam. Surgem novos desafios e
objetivos. E os guerreiros..., olham nos olhos do futuro
sem medo e sem arrogância, mas com a confiança de
quem está pronto para o combate.
Viver é também estar preparado para as situações
difíceis. O modo como encaramos as dificuldades é
que faz a diferença.
Às vezes nos perguntamos como enfrentar as
mudanças radicais que se apresentam diante de nós?
Como atuar num novo cenário, onde coisas que
fazíamos tão bem precisam ser reaprendidas? (Força e
honra.)
Como lutar sem deixar para trás valores
fundamentais? E mais: como saber a medida exata a
ser tomada no momento certo?
O incrível é que justamente diante de situações
adversas, muitos redescobrem o que tem de melhor.
A ética, a amizade, a capacidade de criar novas
estratégias fundamentadas na experiência, no talento
para promover alianças positivas, no espírito de
liderança e na consciência da força que reside no
verdadeiro trabalho em equipe.
Tudo isto aflora quando as circunstâncias exigem,
quando se sabe que existe um objetivo maior a ser
alcançado!
Claro que não é fácil abandonar hábitos, costumes...
Não é fácil adaptar-se aos novos meios, ou usar
recursos aos quais não estávamos familiarizados.
Mas todo guerreiro sabe que o pessimismo e a
insegurança apenas atrapalham.
Ainda que a ameaça venha de vários lados, com
agilidade, força e determinação podemos alcançar o
resultado.
A combinação de energia e inteligência, assim como o
equilíbrio entre razão e a emoção são fundamentais
para o sucesso.
É uma sensação extremamente agradável chegar ao
fim de uma etapa com a consciência do dever
cumprido.
E obter a consagração com o respeito de todos e o
reconhecimento dos colegas e com a admiração das
pessoas que amamos...
Ouvir o próprio nome com orgulho! Aquele orgulho de
quem viu nos obstáculos a oportunidade de crescer.
Orgulho de quem soube enfrentar as turbulências da
vida e vencer! Orgulho de ser um vencedor que não
abriu mão dos valores fundamentais.
Axé 
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