(por Ruth Bolognese) – Aos 77 anos, cabelos em neve, os quilos a mais perfazendo a grande dobra abdominal sob a camiseta azul, eis o senador Roberto Requião dando um banho de política, economia, clareza sobre o momento brasileiro e a rebeldia sob medida.
Na entrevista para a série da Gazeta do Povo com os pré candidatos ao governo do Paraná, agora há pouco, Requião deu a exata dimensão do recuo político paranaense sob a liderança do governador Beto Richa, onde superficialidade e inexperiência se misturaram aos escândalos de corrupção. E onde podemos estacionar com a fragilidade intelectual de candidatos como a vice-governadora Cida Borghetti ou a alegria simpática do deputado Ratinho Jr.
O senador mostrou a segurança de quem governou o Paraná por três vezes consecutivas e não fez nenhum jogo de palavras para dizer que não tem condições partidárias para se lançar candidato a presidente ou mesmo vice de Lula. E que, ao longo de tantos anos de vida pública, tornou-se um político brasileiro pós graduado nas manobras, estratégias e negócios feitos no patamar de uma Petrobrás ou nas reformas da Previdência, Tributária, Trabalhista e o que mais vier.
Requião, como se sabe, nunca foi um sujeito de meias palavras. E a aproximação dos 80 o leva mais para a esquerda, mais para as teses nacionalistas, mais para dar às ações políticas o nome próprio. “Vivemos um período de governo onde se juntou a corrupção brutal com a incompetência absoluta”, diz, referindo-se às escalas nacional e estadual. Não teme dizer que o governador Beto Richa deveria pegar 25 anos de cadeia, que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles é um gerente de banco e vendedor de cartão de crédito e que Donald Trump, apesar de republicano e professar o liberalismo, está fazendo um governo de fortalecimento do Estado.
Requião trafega com tanta familiaridade na política brasileira e, particularmente, no Paraná, que transforma em bobagens provincianas os jogos políticos dos grupos locais, como a família Barros ou os Ratinhos. Por tudo o que professa, pode-se discordar dele (e ele adora – e respeita – um opositor de qualidade), mas há que se respeitar e reconhecer: Roberto Requião é um ponto fora da curva na disputa de 2018, e necessário no processo. Muito mais para por os pingos nos “iis”, falar o que se deve, denunciar o que ainda está por baixo dos panos.
E, mais ainda, para colocar cada candidato no seu lugar. Pela via do debate e do conhecimento da causa e da exposição das ideias, projetos e do futuro do Paraná. Porque adquiriu aquela capacidade única de nos fazer pensar. E comparar.