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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Saul é convidado pela Governadora Cida coordenar campanha área igualdade racial


O candidato a Deputado Federal Saul Dorval da Silva PP desiste de disputar as eleições 2018 para atender um pedido muito especial da Governadora Cida Borghetti PP para que o combatente lutador coordene a sua campanha na área de promoção da igualdade racial.  Saul que tem o respeito no Paraná, Brasil e no Mundo, não podia está em outro lugar, com certeza com punhos de aço vai fazer a diferença. Com uma humildade e um poder de gestão Saul sabe todos os caminhos nós 399 municípios do Paraná com cada liderança negra e demais raças. O que chama atenção é a preocupação da Governadora em valorizar as raças no Paraná já na sua campanha. O projeto " Negro Empreendedor " vai ter vez e voz na pauta e no programa de Governo da Cida, entre tantos outros projetos. Saul disse ainda que trabalhar com uma mulher que tem um olhar futurista e simplesmente fantástico, geralmente temos que bater na porta, e com ela foi diferente ela abriu a porta. Saul tem acesso a todos os movimentos negros no Paraná. PP Afro já lhe da apoio incondicional. Com a Cida o Negro terá vez e voz, serão 100% valorizado, finaliza Saul. 
Saul Dorval da Silva
Saul Dorval da Silva é jornalista, autor do livro "Um novo século para a raça negra". É presidente do Instituto Brasil & África (Ibaf) e presidente do Conselho Municiapl de Políticas Étnico Racial de Curitiba (Comper). É também o criador das cotas no serviço público no Paraná, e criador do SOS racismo no Estado. No ano passado foi indicado para ser ministro da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.







































Saul defende todos os projetos no Paraná em favor da valorização da raça negra. Conhecedor do que faz tem o respeito no Brasil e no Mundo pela luta diária. 
Esse projeto pode ser considerado um avanço?
Sim, o Estatuto da Igualdade Racial, para nós, brasileiros e descendentes de africanos livres e escravos no Brasil, significa nossos direitos civis, assim como foi para os afro-americanos em 1964. A partir de agora, tudo irá mudar no Brasil com relação à justiça social e ao crescimento econômico e nessa relação inter-racial.
Com relação ao projeto atual, foram retirados alguns itens, como a previsão de cotas em universidades para negros e cotas em televisão e filmes. Além disso, também foi retirada a previsão de incentivo fiscal para empresas que contratassem negros, bem como a cota por partido nas eleições. Isso desvirtuou ou prejudicou o projeto original?
Não só alterou como foi um retrocesso para o desenvolvimento no Brasil, mais compensaram nos artigos seguintes. Ficou evidente que parte do Senado tem ainda a convicção de que estamos no tempo da escravidão e que essa dívida que o Brasil tem para com o povo de afrodescendente não é possível de ser paga. A retirada desses pontos significa exatamente isso. É evidente a má-fé dos parlamentares que fizeram esse acordo. Eles não entendem que esses pontos retirados não só eram uma reivindicação da sociedade brasileira, mas também uma forma de resgate histórico – afinal de contas, foram 350 anos de escravidão no Brasil. Contudo, há projetos de lei tramitando na Câmara e no Senado que poderão compensar a retirada desses itens. A cota ou reserva de vagas para afrodescendentes não só é um resgate histórico ou uma dívida que o Brasil tem com esse povo, mas também é uma questão de justiça social e de crescimento econômico.
A troca da expressão “raça negra” por “etnia negra” era um desejo dos negros brasileiros? Faz alguma diferença essa denominação?
Não era e nunca foi. É totalmente incoerente trocar raça por etnia. Isso foi uma emenda de alguns senadores que não têm sequer sensibilidade nem atuação nessa área e representa a direita remanescente da ditadura militar, na qual se desenvolve o sentimento dos racistas no Brasil. O que há é uma confusão entre raça e etnias. Raça é o conjunto de etnias, e etnias são vários segmentos que podem ser caracterizados por fenótipo ou tribo, dialeto ou língua. Por exemplo, na África existem várias etnias e 1.200 dialetos. Essa mudança que foi dada é um retrocesso no Brasil. Mais uma vez, querem esconder a raça negra no Brasil, tentando, assim, reviver o tempo de escravidão, no qual os negros livres na África eram escravos no Brasil, e considerados animais e objetos.

Qual a sua opinião, como presidente do Ibaf, sobre a nova lei?

Ela não saiu da forma como queríamos, mas sem dúvida apresenta certo avanço, principalmente no artigo 15, que fala de ações afirmativas, atribuindo aos poderes constituídos – Executivo, Legislativo e Judiciário – o desenvolvimento de políticas públicas em forma de ações afirmativas.
O que ainda falta para que se conquiste uma verdadeira igualdade racial no Brasil?

Consciência de que todos somos iguais, e que raça é uma só: espécie humana.


Texto de um projeto que valorizo os Negros. 
Vivemos em uma época em que o discurso que ouvimos, praticamente em todo planeta, afirma os direitos de todo e qualquer ser humano, à dita igualdade, ao menos de acesso, as áreas como educação, saúde, lazer, habitação, trabalho, entre outras. Contudo, quando recorremos aos índices de órgãos como o IBGE, UNESCO, IPEA, entre outros, constatamos que existem grandes desigualdades nestas áreas, especialmente para algumas populações, como a dos negros e índios, por exemplo, que ainda não foram corrigidas. A tão anunciada democracia racial não existe de fato, bastando para isso, analisarmos os altos índices de analfabetismo e baixa renda entre essas populações. Isso porque nem podemos afirmar que em nosso país a população negra, por exemplo, seja insignificante, já que, segundo a UNESCO, é a segunda maior população negra do mundo (incluindo-se aí os considerados “pardos”), ficando somente atrás da Nigéria. Mais de 50% da população brasileira tem sua origem na matriz africana. Não podemos dizer que existe raças humanas e sim grupos étnicos, assim quando os negros chegaram aqui na América, no Brasil especificamente houve uma miscigenação muito grande com outros povos aqui encontrados. Diante do problema racial buscam-se novas metodologias, as quais possam apresentar significados, tornar o aluno um pesquisador, capaz de produzir reflexão crítica sobre o processo histórico, entendendo que viver sob um processo dos preconceitos é viver num tempo de repressão, sem liberdade. Nesse sistema a sociedade não pode viver em igualdade, em sintonia uns com os outros, não fica livre e a repressão age com eficácia sobre os grupos que protestam e lutam contra esse sistema de cotas raciais. Desta forma, será fundamental que os alunos analisem temáticas relativas aos movimentos sociais da população negra e as suas cotas no Brasil e no Paraná, pois sua abordagem em sala de aula constitui um permanente desafio. A desigualdade se apresenta não somente num plano estrutural, mas também num plano que é simbólico, ou seja, nos planos dos discursos, visíveis nos livros didáticos, especialmente após a década de 50. E isso é tão sério e insidioso e feito de uma forma tão sutil que muitas vezes parece naturalizada, a ponto de quase não a percebermos. Fulvia Rotemberg, por exemplo, pesquisadora da Literatura Infanto Juvenil, em pesquisa realizada entre os anos 1980 e 1985, traz à tona várias descobertas a respeito da estereotipia dos negros na maioria dos livros pesquisados. A mulher negra aparece como não tendo individualidade e o homem branco é colocado como padrão de normalidade, uma vez que o Eurocentrismo perpassa com força nossa sociedade e seus instrumentos de organização. É assim que através de “inocentes” livros como esses preconceitos e estereótipos negativos têm sido reforçadas, omitidas, ou folclorizadas a história e a cultura de matrizes civilizatórias colonizadas. Cria-se assim uma falsa consciência de superioridade intelectual e cultural. De forma  eficientíssima, tem-se reforçado e criado ideologias xenófobas e racistas, formando-se seguidores que manterão a desigualdade e a violência contra as populações assim inferiorizadas. Não é de se estranhar que em nossas salas de aulas encontremos tão poucos, e às vezes, nenhum negro; sendo que dentre os que iniciam o ano letivo muitos deles não o concluem. Existe sim racismo no Brasil, existe sim racismo na escola! Ele está presente nos livros didáticos de forma velada e às vezes não tão velada assim, nas relações interpessoais, na maneira diferenciada como alguns professores tratam os alunos negros. O imaginário constrói o quadro racista, é ele que ratifica uma história de racismo na escola. O homem branco é tido como a norma de humanidade, é a referência por si só. Em nossos livros didáticos quase não aparecem imagens de negros, mas quando estes aparecem são em posições subalternas ou em imagens em que estão apanhando ou sendo humilhados. Como podemos esperar que crianças negras em nossas escolas tenham orgulho de sua cor e queiram conhecer e se identificar com suas raízes? As relações de racismo estão implícitas em muitos detalhes e ela é percebida, com mais facilidade ainda por nossos alunos do que por muitos professores. E ainda pior do que isso, como podem eles ter o devido estímulo quando tão pouco de seus mestres são negros? Infelizmente em uma sociedade racializada como a nossa, não é somente os negros que sofrem, mas toda a sociedade, uns por se sentirem superiores e outros por se sentirem inferiores. Até mesmo o padrão de higiene do corpo é branco, o que muitas das vezes faz com que negros sejam vistos como “sujos” e “fedorentos”; a forma de ver, viver e pensar o mundo se torna assim homogeneizada fazendo com que nossa sociedade rejeite aquilo que foge a tais padrões fortemente estabelecidos. Especialmente no campo da religião acontecem as maiores rejeições, já que a imagem que a perpassa envolve a “magia” e o “misticismo”. O que então podemos fazer diante de tudo isso? Como nós profissionais da educação podemos contribuir para uma melhora deste triste quadro? Pensamos que a resposta esteja na construção do olhar de nosso aluno negro, no fazê-lo perceber-se como sujeito de direito, informá-lo e instrumentalizá-lo para que saiba como reivindicar aquilo que já foi conseguido, dentro de políticas afirmativas ao longo dos anos em nosso país, como o sistema de cotas para afro descendentes, por exemplo, e a obrigatoriedade do ensino da cultura afro brasileira em nossas escolas. Também orientá-lo a como fazer bom uso do espaço concedido a cada 20 de novembro, o dia da Consciência Negra. Espaço cujo uso deve ser repensado a cada ano: Será que não o temos vinculado ao espetáculo? Ou seja, apresentamos algo bonito da cultura africana, mas não reconhecemos ou aceitamos a visão de mundo diferenciada que aí se apresenta, visto que não deixa de ser uma contestação da ordem existente? Será que temos enxergado com “bons olhos” esta outra concepção de ser e de viver? Será que realmente este tem sido um espaço para reflexão e mudança de posturas? Apresentar somente o “belo” a respeito do negro não basta, existe toda uma ideologia por trás disso. Nossos alunos negros precisam saber como fazer uso de seus direitos e como argumentar a seu favor para que o pouco seja muito em suas mãos! Vamos recomendar-lhes leituras que os auxiliem a resgatar sua identidade, vamos dar-lhes endereços de sites com informações sobre o assunto; também no campo jurídico e político, vamos disponibilizar informações sobre cursos, mostrar-lhes exemplos de negros bem sucedidos, que venceram e lutam por seus direitos, enfim, vamos valorizar os meios a nós concedidos e presentes em nossa sociedade para fazer valer os famosos direitos humanos. Desde sempre a desqualificação de um em favor da afirmação de outro esteve presente nas relações étnico raciais na história da humanidade. E a história da colonização brasileira, não é diferente, é marcada pela diferença entre homens, moldada desde o início por concepções racistas de superioridade e inferioridade. No Brasil a divisão da sociedade em raças é fato, isto está tão enraizado que os brasileiros agem fundamentando preconceito, discriminação e segregação. A sociedade brasileira está marcada pela exclusão social e pela discriminação social. Podemos constatar durante a história do nosso país que a discriminação, racismo e preconceito fizeram, e ainda faz parte, do nosso cotidiano refletindo-se de maneira mais incisiva na população mais carente, situação que dura há mais de 500 anos. Nos anos de 1800, decretos impediam os escravos de estudar, e após alguns anos, permitiram que os negros pudessem estudar à noite, e criaram outros mecanismos que dificultaram a oportunidade de estudar. Com certeza a produção do conhecimento interfere na construção de representações, e nesse século podemos perceber avanços na prática da democracia na luta e na superação das desigualdades sociais e raciais. As ações pedagógicas voltadas para o cumprimento da Lei nº 10.639/03 e suas formas de regulamentação se colocam nesse campo. A sanção de tal legislação significa uma mudança não só nas práticas e nas políticas, mas também no imaginário pedagógico e na sua relação com o diverso. É nesse contexto que a referida lei pode ser entendida como uma medida de ação afirmativa. As ações afirmativas são políticas, projetos e práticas públicas e privadas que visam à superação de desigualdades que atingem historicamente determinados grupos sociais, a saber: negros, mulheres, homossexuais, indígenas, pessoas com deficiência, entre outros. Tais ações são passíveis de avaliação e têm caráter emergencial, sobretudo no momento em que entram em vigor. Elas podem ser realizadas por meio de cotas, projetos, leis, planos de ação, etc. (GOMES, 2001). É importante ressaltar a dimensão da lei, que vai além de cotas, tem um caráter mais profundo, tendo como objetivo o direito à diversidade étnico-racial, mostrar a realidade africana e afro-brasileira nos currículos e práticas escolares e afirmar a história, a memória e a identidade de crianças, adolescentes, jovens e adultos negros na educação e de seus familiares. Espera-se que, ao longo dos anos, as políticas universais brasileiras incluam e garantam, de forma explícita, o direito à diferença. Um dia, alguém resolveu dizer que o homem negro era inferior ao homem branco. Foram colocados à margem da sociedade e essa situação esteve sustentada nas teorias “científicas” e racistas do século XIX, as quais forjavam o discurso da superioridade racial. Antes disso, já havia no Brasil relações sociais que mantinham a estratificação da sociedade em diferentes níveis, sendo a população negra, explorada e a população branca na posição de exploradores. Apesar da eliminação da condição de servidão do negro no Brasil, a sociedade ainda mantém a mentalidade de que o negro é inferior, mas presente nos diferentes salários recebidos, nas condições de vida da maior parte da população brasileira segundo os dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A Lei 10639/2003 e outros dispositivos legais tornam obrigatório o Ensino da História e Cultura Afro-Brasileiras e Africanas. Recentemente, em 2008, esta Lei foi ampliada pela Lei 11.645 que, ao alterar o seu artigo 26, incluiu no currículo obrigatório também a história e a cultura indígenas. Estes conteúdos devem ser inseridos em todas as disciplinas do currículo escolar, bem como as discussões pertinentes à Educação das Relações Étnico-Raciais devem estar de acordo com os conteúdos exigidos pelas diretrizes educacionais elaborados pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná, com o objetivo de (tentar) erradicar o preconceito racial intrínseco em nossa sociedade e desenvolver a prática de atenção e valorização da diversidade, que conduza ao respeito aos direitos humanos. A Lei nº. 10.639 alteraram os artigos 26 e 27 da Lei nº. 9.394/96 tornando obrigatória a inclusão da “História e Cultura Afro-Brasileira” no currículo oficial. No tocante às leis educacionais, merece destaque também a aprovação, em 10 de março de 2004, pelo Conselho Nacional da Educação, das “Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações ÉtnicoRaciais e para o Ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana”. A Lei 10.639/2003 foi substituída pela Lei 11.645/2008, que inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura AfroBrasileira e Indígena”. Em 2008, acrescentou-se, portanto, a obrigatoriedade do estudo da temática indígena. O empenho para implementar essa lei de 2008 está só começando. Seu sucesso depende do compromisso que nós, educadores, tivermos com a construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna. Apesar de todas as legislações, verifica-se que não bastam normas que visem à garantia de direitos sem que haja a educação das pessoas para isso, a formação em valores e conceitos. Educar para a diversidade não significa apenas reconhecer outros como diferentes, mas refletir sobre as relações e os direitos de todos e a escola é o espaço sociocultural em que as diferentes identidades se encontram e se modelam; é uma das instituições mais importantes para semear e cultivar o respeito à diferença. Educar significa, dentre outros aspectos, reconhecer a realidade exterior ao ambiente escolar. Significa admitir que os modelos econômico e social aos quais estamos atrelados, interferem nas concepções de homem e de mundo e nas relações interpessoais. Portanto, a prática docente deve trazer em seu bojo inúmeras questões não só de ordem metodológica, mas antes disso, questões ideológicas e psicossociais. Nesse caso, a identificação de práticas de discriminação racial no contexto da escola representa a necessidade de uma análise ampla da questão e a urgência em desvelar o discurso pedagógico que mesmo indicado a linha da igualdade sustenta ações que lhe são contraditórias. Essa abordagem, por ser diferenciada, vem contribuir para a identificação das formas pejorativas de construção das imagens e autoimagens de negros e negras, o que certamente exerce influência nas formas de relacionamento interpessoal e inter grupal. A existência de um currículo mono cultural, que ignora a identidade cultural do povo negro e perpetua uma espécie de escravidão mental, é a revelação de uma das principais falácias em que está alicerçada a educação brasileira. Assim sendo, podemos afirmar a existência de um não-racismo de ocasião, explicitado em ações equivocadas que, por serem pontuais, não representam provocações suficientes na luta pela conquista de espaços travada há tempos pela comunidade negra. Há também que se considerar a abordagem do povo negro nos livros didáticos em circulação no mercado editorial brasileiro, os quais frequentemente retratam imagens pejorativas. Ao reafirmar tais estereótipos, os livros didáticos também perpetuam o discurso falacioso e desvirtuam a abordagem da questão da negritude, a partir da ilusão de que não expressam o preconceito. Faz necessário, entretanto, reconhecer a raiz do problema. A análise da gênese do Estado Republicano Brasileiro coloca-nos diante do reconhecimento do interesse oficial em ratificar uma sociedade desigual. Não há como esquecer as diversas políticas implementadas (no pós - abolição) no sentido de restringir ao máximo os diversos direitos dos afro-descendentes: formas de violência cultural, negação do acesso ao trabalho remunerado, política imigratória de caráter racista. Daí pode lançar outro olhar para a realidade excludente atual, a qual estabelece um "apartheid" disfarçado. No ano do centenário da abolição da escravatura no Brasil, em 1988, o movimento negro fez uma dura crítica à tradicional comemoração do dia 13 de maio, data da assinatura da Lei Áurea, para propor em seu lugar a comemoração do dia 20 de novembro. Tratava-se de trocar o dia que homenageava a Princesa Izabel pelo dia em que se deveria homenagear Zumbi dos Palmares, grande liderança quilombola. Mais tarde, de fato, Zumbi foi declarado herói nacional e desde 1995 o dia de sua morte foi transformado em dia nacional da Consciência Negra. Em 1995, ano de comemoração do Tricentenário da morte de Zumbi dos Palmares, a mobilização e a participação dos movimentos negros foram importantes para as mudanças que ocorreram em termos de inserção da questão racial na pauta da agenda nacional. No dia 20 de novembro, por exemplo, foi criado por decreto presidencial o Grupo de Trabalho Interministerial para a Valorização da População Negra. Em 2001, a realização da III Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e formas correlatas de intolerância significaram outro importante evento e nele o Brasil teve uma participação de destaque. Embora muitos projetos já estivessem sendo delineada, a posição oficial do Brasil nesta Conferência selou o compromisso do governo brasileiro na efetivação do Plano de Ação proposto. Tais momentos foram decisivos para as mudanças adotadas pelo governo brasileiro em relação às políticas de Ação Afirmativa nos campos do mercado de trabalho, da saúde, das populações tradicionais, como os remanescentes de quilombos, e, finalmente, da educação. Foi neste contexto que houve o reconhecimento das Comunidades Remanescentes de Quilombos e do seu direito à terra. Por aqui, até 1995 essas comunidades perfaziam uma lista de apenas 50. As comunidades remanescentes de Quilombo são um fato novo para a sociedade brasileira, somam-se hoje por todo território brasileiro mais de 3.500 comunidades remanescentes de Quilombo, destas 1.200 já detém o título concedido pela Fundação Cultural Palmares que os reconhece como remanescentes de Quilombos. A região brasileira que conta com o maior número de comunidades Quilombolas é a região Nordeste com 61% das comunidades Quilombolas do Brasil, seguidas da região Norte com 15%, Sudeste com 13%, Centro Oeste com 5% e Sul com 6% (FUNDAÇÃO CULTURAL PALMARES, 2009). Hoje está claro que a luta pela igualdade não implica a eliminação da diversidade social e cultural, mas sim a eliminação das desigualdades econômicas, educacionais e políticas. A escola não pode ser estranha a tais mudanças porque ela é vista como um potente e fundamental instrumento para se alcançarem estes novos objetivos sociais. Desde a III Conferência Mundial contra o Racismo, em Durban, África do Sul, as organizações do Movimento Negro destacaram, entre outras ações, a atenção à educação e, fizeram algumas propostas como incluir nos critérios de avaliação dos livros didáticos a crítica à incidência de visões estereotipadas e preconceituosas sobre a população negra; a implementação de políticas que garantam à população negra o acesso às universidades e a permanência nelas; a revisão do currículo da Educação Básica, visando à inclusão da história e da cultura da África e afro-brasileiros; a parceria do Estado com a organização do movimento social para a formação dos educadores; e a nomeação de representantes das temáticas indígena e negra para o Conselho Nacional de Educação. Enfim, estamos diante de um novo cenário. Não é mais possível delegar ao/a educador/a negro/a militante ou ao/a professor/a de história (pensados como “aqueles que sabem destas coisas”) a tarefa de alterar a realidade educacional em relação à temática étnico-racial.

O Programa de Cotas Raciais da UFPR A entrada de estudantes negros da Universidade Federal do Paraná através do Sistema de Cotas Raciais é uma vitória que a mobilização do Movimento Negro organizado ofereceu à Universidade e à sociedade brasileira em geral. Vitória que se expressa pela possibilidade de se corrigir as graves distorções causadas pela marginalização dos negros do Brasil. Após o questionável processo de Abolição da Escravidão no século XIX, seguido não por medidas compensatórias que integrassem essa população na nova sociedade brasileira, mas pela grande imigração, trazendo europeus e asiáticos para substituírem os negros, caboclos, sertanejos e mestiços como mão de obra, estas populações ficaram à margem do processo de modernização da República Brasileira. Esta situação nunca se resolveu completamente e é particularmente evidente nos estados do Sul do Brasil, nos quais cerca de ¾ da população são brancos de origem europeia e o restante constitui-se numa população de cor, descendentes dos habitantes originais anteriores àquela grande imigração. Na UFPR, o Sistema de cotas foi criado a partir do ano de 2004, pela Resolução nº 37/04 – COUN, reservando durante 10 anos, cerca de 20% das vagas totais para alunos oriundos de escolas públicas (cotas sociais) e outras 20% de vagas para alunos negros, (cotas raciais) como forma de democratizar o acesso à Universidade pública. Existem também vagas suplementares para estudantes indígenas e para estudantes com deficiências comprovadas. A Universidade Federal do Paraná, através do Núcleo de estudos afro brasileiros, vem realizando esforços no sentido de conseguir que os 20% das cotas raciais possam ser realmente preenchidos e que todos os candidatos que possam concorrer pelo Programa, como no caso dos auto declarados pretos, possam usufruir do mesmo. O papel da mídia na difusão do racismo e o silêncio acadêmico. Discutir o racismo no Brasil é muito complicado. Complicado porque falta muita seriedade no debate entre o público leigo, público tanto passivo quanto ativo às práticas discursivas do racismo. No meio acadêmico a discussão é riquíssima no sentido de trazer à tona novas abordagens e reinterpretações sobre o nosso passado colonial escravocratas. Mas o debate perde em qualidade quando o tema “racismo” se fecha, se isola nas comunidades acadêmicas. Quando isso acontece, o alcance dos discursos racistas por parte das camadas conservadoras é muito maior sobre a sociedade. Há necessidade dos pesquisadores acadêmicos democratizarem os frutos das suas pesquisas nas mídias mais acessíveis e em linguagens acessíveis aos leigos. Se isso não acontecer, discursos preconceituosos dos Danilos Gentilis serão mais receptivos, alimentando as práticas racistas que vemos na atualidade. Um dos principais argumentos dos racistas é o de que no Brasil não existe racismo. Para eles, o que existe é um “coitadismo exacerbado” que vê racismo em tudo. Para construírem tal argumento, utilizam o famoso bordão: “Mas que mal há em chamá-lo de macaco? Me chamam de palmito e eu nem ligo.” É o que dizem os Gentilis. O que eles ignoram é o fato de que a ideologia inerente à animalização do negro foi um fator determinante para legitimar a escravidão dos negros africanos desde os tempos em que aquele continente se viu sob o jugo do império islâmico. Até nos escritos gregos da Antiguidade, principalmente nos escritos de Hipócrates e Galeno, ambos, médicos, o negro africano é representado analogicamente à condição animal. Mas vou simplificar e falar mais da construção da identidade nacional na perspectiva oficial para mostrar o quanto é equivocado o argumento de que não há mal algum em denominar um negro de “macaco” e o que isso implica na prática. 
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